Desempenho térmico na NBR 15.575: o que o novo zoneamento bioclimático muda no seu projeto
Desde 2013, a NBR 15.575 tornou o desempenho térmico um requisito obrigatório — e não um diferencial — de qualquer edificação habitacional no Brasil. Em junho de 2025, porém, entrou em vigor a nova NBR 15.220-3:2024, que redesenhou o mapa bioclimático brasileiro. Além disso, no fim de 2025, foram publicadas as emendas às Partes 1, 4 e 5 da NBR 15.575 para absorver essa mudança.
Na prática, isso significa que os parâmetros de desempenho térmico exigidos para um projeto podem ser diferentes dos de um ano atrás — mesmo para a mesma cidade. Para quem está iniciando estudos preliminares agora, ignorar essa atualização é um convite ao retrabalho de fachada e à reprovação em análise.
O que a NBR 15.575 exige em desempenho térmico
A NBR 15.575, conhecida como Norma de Desempenho, organiza as exigências em três níveis: Mínimo (M), Intermediário (I) e Superior (S). O nível Mínimo é obrigatório; os demais são metas de qualidade que o mercado passou a usar como argumento comercial.
Para comprovar o desempenho térmico, a norma prevê dois caminhos. O procedimento simplificado é prescritivo: verifica a transmitância térmica (U) e a capacidade térmica (CT) de paredes e coberturas, além de aberturas mínimas para ventilação e requisitos de sombreamento. Já o procedimento por simulação computacional avalia dinamicamente as temperaturas operativas dos ambientes ao longo do ano, o que costuma ser mais preciso e, muitas vezes, mais econômico em soluções.
O ponto central é este: os dois caminhos dependem da zona bioclimática onde o empreendimento está. É a zona que define os valores de referência que o projeto precisa atingir. Mude a zona, e muda o alvo.
O que mudou com a NBR 15.220-3:2024
O mapa anterior, de 2005, dividia o Brasil em 8 zonas bioclimáticas (ZB1 a ZB8). A nova NBR 15.220-3, publicada em dezembro de 2024, substituiu esse mapa por um de 12 zonas (1R, 1M, 2R, 2M, 3A, 3B, 4A, 4B, 5A, 5B, 6A e 6B), construído a partir de uma base de dados meteorológicos muito maior e mais atual, incorporando tendências das mudanças climáticas por meio de técnicas de agrupamento (clustering). Veja abaixo o mapa revisado.

Nova definição das zonas bioclimáticas brasileiras.
Como consequência direta, no fim de 2025 a ABNT publicou emendas às Partes 1, 4 e 5 da NBR 15.575, alinhando os requisitos de desempenho térmico ao novo zoneamento. O efeito é concreto: diversas cidades foram reclassificadas. Segundo levantamentos técnicos, o Rio de Janeiro migrou da antiga ZB8 para a nova zona 4A, e Porto Alegre saiu da ZB3 para a 2R. Como a lógica de numeração mudou por completo, não se trata de uma simples renomeação — os parâmetros de referência associados a cada zona também mudaram. Vale confirmar a zona oficial de cada município no mapa atualizado antes de fechar qualquer premissa de projeto.
Por que isso muda o projeto na prática
A reclassificação não é burocrática. Os parâmetros de referência — transmitância e capacidade térmica de vedações e coberturas, aberturas para ventilação e sombreamento — estão amarrados à zona. Uma solução de parede ou de cobertura que atendia ao desempenho térmico sob a zona antiga pode não atender mais.
Três situações merecem atenção redobrada:
- Projetos replicados em várias cidades. Uma mesma tipologia (padrão de incorporadora, obra pública, HIS) agora pode cair em zonas diferentes, exigindo variantes regionais de envoltória que antes não existiam.
- Retrofit e obras em andamento. Empreendimentos que atravessam a virada normativa precisam verificar sob qual versão estão sendo avaliados.
- Especificação de fachada e cobertura. É onde o custo do erro aparece: trocar vidro, brise ou sistema de cobertura no projeto executivo custa muito mais do que ajustar no estudo preliminar.
Há também um efeito positivo. Quando os limites prescritivos ficam mais restritivos, o procedimento por simulação computacional tende a se tornar o caminho mais vantajoso — ele permite comprovar o desempenho térmico com a envoltória real do projeto, evitando o superdimensionamento que o método simplificado às vezes impõe.
Como se preparar em 2026
O primeiro passo é confirmar a zona bioclimática de cada terreno sob o novo mapa antes de fixar o partido arquitetônico. Em seguida, revise as especificações de envoltória — vidros, sombreamento, transmitância e capacidade térmica de paredes e coberturas — contra os parâmetros da zona correta. Para portfólios, vale remapear todos os terrenos do landbank: projetos-padrão podem precisar de versões regionais. E, sempre que possível, use a simulação computacional cedo, ainda no estudo preliminar, para otimizar a envoltória e evitar decisões caras lá na frente.
Onde a Seed Solution entra
A Seed Solution realiza a avaliação de desempenho térmico segundo a NBR 15.575 pelos dois caminhos — procedimento simplificado e simulação computacional dinâmica —, já considerando o novo zoneamento da NBR 15.220-3. Também apoiamos a otimização de envoltória em clima tropical e a integração do desempenho térmico com selos como Procel Edifica e LEED, de modo que o mesmo esforço técnico gere conformidade normativa e pontuação de certificação.
Vai iniciar um projeto e não sabe em qual zona bioclimática ele caiu no novo mapa? Agende uma conversa com nossa equipe e comece com a premissa certa.
